A vida é feita de tensões. Tanto faz sermos chineses, como portugueses, brancos ou pretos, homens ou mulheres. Todos os dias do nascimento à morte, somos confrontados, em graus variáveis, com situações que a nossa paciência, compreensão ou capacidade de controlo é posta em causa. Tanto pode doer como ser muito bom. E é entre as oscilações de humor que temos de nos equilibrar e andar para frente (...)
Instale-se confortavelmente. Feche ligeiramente os olhos. Respire fundo, devagar. Concentre-se em sua própria respiração. Uma, duas, três, quatro, dez vezes, as que forem necessárias para que o ritmo de respiração abrande e a respiração profunda deixe de ser um esforço. Perca-se nas ondas mecânicas de inalação e expiração, sinta que o corpo vai relaxando e a mente também. Aos poucos não é mais um esforço manter os olhos fechados. As pálpebras repousam nas pestanas de baixo, os ombros e os músculos perdem a tensão, os pensamentos aquietam-se. Sempre que a turbulência mental se excitar de novo, faça novo esforço de concentração na respiração profunda.
Fique assim o tempo que for preciso para que não queira mais sair desse estado de bem-estar. A cabeça deixou de existir. O corpo perdeu os seus limites, o desconforto da posição mantida por longo tempo desaparece. Entre si e o mundo existe, agora, apenas um fio de respiração, um vento interior e exterior. Acaba de ganhar a unidade entre a matéria e o espirito, pelo sopro fundamental da vida.

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