(o Mito da) Proteína
A necessidade de proteína tem sido grandemente exagerada pelas forças do marketing, e as funções da proteína tem sido representadas incorrectamente.
A maioria das pessoas pensa que precisamos de grandes quantidades de proteína para energia, ou para nos proteger de ficarmos doentes. Nada poderia estar mais longe da verdade.
A função primária da proteína é o crescimento, que é negligenciável em adultos, como também reparar ferimentos e repor as células gastas.
Apesar da febre das campanhas publicitárias das indústrias da carne e lacticínios, humanos requerem quantidades extraordinariamente baixas de proteína. Muitos grupos oficiais, incluindo a World Health Organization, (OMS), sugerem que ingerir menos de 10% de nossas calorias diárias totais como proteína é o suficiente.
O leite materno fornece em média aproximadamente 6% das calorias da proteína para crianças em crescimento. Essa deve ser uma ampla prova que adultos não necessitam mais proteínas por calorias do que isso, enquanto bebés em seus primeiros anos de vida, com sua extrema rápida taxa de crescimento, tem a maior necessidade de proteína por calorias que todos os humanos.
Proteínas (mais precisamente aminoácidos) são os tijolos de construção das células vivas. Quando acabamos de crescer precisamos de pouquíssimos materiais crus do qual somos feitos.. Por exemplo, numa analogia, ao construir uma casa com tijolos você precisa de caminhões cheios de tijolos durante a fase de construção. Quando a casa está pronta, se os caminhões continuarem a entregar tijolos, você tem um problema entre as mãos. O mesmo é verdade para as proteínas na dieta humana: uma grande quantidade cria condições de emergência e mantém o corpo em uma constante estado de toxicidade.
10% de Proteína inclui uma vasta margem de segurança
Em seu livro , The China Study, o professor T. Colin Campbell de bioquímica nutricional, emérito da renomada Universidade Cornell, afirma que precisamos de apenas 5-6% do total das nossas calorias vindas da proteína para repor a proteína que perdemos rotineiramente, e que "entre 9-10% de proteína tem sido recomendada nos últimos 50 anos a fim de se assegurar que as pessoas consigam pelo menos 5-6% do requisito normal".
Em adição á margem de segurança, essa recomendação presume que as pessoas comam suas proteínas cozidas. Dado que o cozimento desarranja substancialmente a proteína e os outros nutrientes, podemos com segurança consumir bem menos proteínas vindas das plantas e ainda assim assegurar de se estar nutrido o suficiente.
O facto de nossa necessidade proteica ser em dígitos simples (menos de 10%) geralmente surpreende as pessoas. A maioria de nós inconscientemente tornou-se uma presa da propaganda da indústria da carne que nos levou a acreditar o contrário. A publicidade influenciou nossa percepção da realidade tão amplamente que o conceito de "conseguir proteína suficiente" está incrustado na nossa cultura.
Atletas e fisioculturistas: 10% ainda é mais que suficiente
Fisioculturistas tem à muito tempo consumido proteína e diminuído sua ingestão de carboidratos acreditando no erro que proteína dietética cria músculos. Na realidade apenas exercícios que envolvam pesos criam músculos. Quando carboidratos insuficientes são fornecidos, é verdade que a necessidade proteica aumenta, já que o corpo transforma proteína em carboidratos (um processo dispendioso de energia) e a utiliza como combustível. Isso, no entanto, não traz o resultado desejado.
Em seus estudos extensivos sobre requerimentos de proteínas, o Institute of Medicine/Food e Nutrition Board determinaram que nenhuma proteína adicional necessita ser acrescentada ao RDA para compensar a actividade física:
"Existem pouquíssimas evidências que a actividade muscular aumenta a necessidade de proteína, excepto para a pequena quantidade requerida para o desenvolvimento dos músculos durante o condicionamento físico (Torun Et al,1977). Actividade vigorosa que leva ao suor profundo, tais como trabalho pesado e desportos, e a exposição ao calor aumentam a perda de nitrogénio da pele, mas com a aclimatização de um ambiente quente, a perda excessiva de pele (perda através da perspiração pela pele - DG) é reduzida e pode ser parcialmente compensada pela diminuição de excreção renal (WHO, 1985). Em visão da margem de segurança do RDA, nenhum incremento é adicionado para o trabalho ou treinamento."
Fisioculturistas seguindo o programa 80-10-10 descobriram que, apenas fornecendo as calorias suficientes, provenientes de carboidratos, sua necessidade proteica diminui drásticamente, e sua energia para treinar e seu crescimento muscular ambos aumentam.
TODOS OS ALIMENTOS PROVENIENTES DAS PLANTAS CONTÉM PROTEÍNA
Todos os alimentos provenientes das plantas contém proteína, e até mesmo uma dieta apenas de arroz branco (não recomendado) você ainda acabaria com 8% de proteína para o dia! Mas seria o tipo certo de proteína?
Proteínas são moléculas complicadas feitas por simples blocos de construção reunidos (aminoácidos), juntos em uma cadeia (cadeia polipeptídica). Alguns 20 diferentes aminoácidos são usados para sintetizar a proteína, 8 ou 9 dos quais são designados "essenciais" (dependendo da fonte de informação. O termo "essencial" em nutrição significa que o nutriente em questão precisa ser comido ou consumido de outra forma, porque o corpo não consegue sintetiza-lo.
O COMPLETO MITO DA PROTEÍNA
Na década de 1970, as pessoas geralmente se preocupavam em combinar proteínas assim: todos os aminoácidos essenciais estariam disponíveis a cada refeição. Pesquisas mais recentes determinaram que não é necessário, e de facto, o autor de "incomplete protein theory", Frances Moore Lappe, retratou 20 anos depois, afirmando estar completamente enganado. Realmente precisamos de todos os aminoácidos essênciais, mas não precisamos comê-los juntos, e também não a cada dia.
FONTES DE PROTEÍNA
Proteína na dieta não é a única fonte para construir proteínas que precisamos. Ao invés disso, nossos corpos reciclam entre 100 a 300 gramas da nossa própria proteína todos os dias. Temos uma piscina de aminoácidos de onde construímos novas proteínas.
Podemos facilmente alcançar nossos requerimentos proteicos em uma dieta vegana, sem nenhuma atenção particular focada em combinar proteína ou seccionar certos alimentos para cada refeição.
OS PERIGOS DE COMER MAIS QUE 10% DE PROTEÍNA
Ao ouvir os proponentes da indústria de carne, uma pessoa deve achar que estamos em iminente perigo de doenças e morte se você não comer carne três vezes ao dia. A verdade é que comer carne é frequentemente a causa de todas as condições que nos ensinam a temer. Isso é surpreendente para a maioria das pessoas que foram ensinadas incorrectamente, que precisam de grandes quantidades de proteína a cada dia, e isso resulta numa grande parte da nossa saúde debilitada.
Muita proteína na nossa dieta está associada com todos os problemas de saúde, incluindo sintomas como a obstipação e outras desordens digestivas que geralmente levam à toxemia (sangue e tecidos tóxicos) e eventualmente ao cancro. Disfunções auto-imunes, artrites e todas outras condições auto-imunes, envelhecimento precoce, funções danificadas do fígado, falha dos rins, osteoporose, e muitas outras condições patogénicas e degenerativas é o resultado de comer mais proteínas que precisamos.
Em geral, alimentos hiper-proteicos são acidificantes, no corpo humano (até mesmo plantas que contém muita proteína tais como os legumes). Isso é porque os seus minerais predominantes são os minerais ácidos - cloro, fósforo e enxofre. Para manter a homeostase, o corpo contrabalanceia a acidez causada pelo excesso de consumo de proteína. Infelizmente o faz, em parte usando um precioso mineral alcalino - o cálcio da nossa corrente sanguínea. O corpo repõe o cálcio da corrente sanguínea, onde os níveis de cálcio precisam se manter relativamente constantes, removendo-os dos dentes e ossos, abrindo espaço para a osteoporose e a queda de dentes.
Não é uma coincidência que as frutas e vegetais contenham apenas a quantidade certa de proteína para manter e construir o corpo humano. Nem é uma coincidência que os minerais fornecidos predominantemente são: cálcio, sódio, magnésio e potássio.
Se você tem alguma dúvida sobre se essa baixa quantidade de proteína é saudável, ou se quiser indiscutíveis evidencias da toxicidade do alto consumo de proteínas, realmente recomendo que pegue numa cópia do maravilhoso livro do T.Colin Campbell. o The China Study. Dr. Campbell é um conhecido cientista nutricional, tendo dirigido o estudo mais compreensivo sobre saúde e nutrição já conduzido. Seu livro de enorme sucesso não deixará dúvidas que 5% de proteínas, exclusivamente de alimentos das plantas, é mais que suficiente.
PROTEÍNAS DAS FRUTAS E VEGETAIS APENAS
Em uma dieta de frutas e vegetais apenas, é provável que sua ingestão de proteina seja em torno de 5% das suas calorias ou um pouco a mais. Adicionando uma pequena quantidade de nozes e sementes em um pequeno aumento no percentual de ingestão de proteína. Por exemplo:
- uma refeição de 10 pêssegos (420 cal.) fornece 7g. de proteína
- uma refeição de 10 bananas (1085 cal.) fornece 12g. de proteína
- uma tigela de sopa feita de 3 tomates com 2 pepinos batidos no liquidificador fornece mais 7g. de proteína
- uma garrafa de sumo de laranja recém espremido oferece perto de 3,5g de proteína
- uma cabeça média de alface (quase 50 cal.) fornece perto de 5,5g. de proteína
- apesar de só termos comido 1.930 cal. até agora, a proteína total consumida é 35g. (acima de 6% de calorias )
DEFICIÊNCIA DE PROTEÍNA NÃO EXISTE
Em um folheto da Vegetarian Society of Colorado diz: " estudos em humanos que foram alimentados com apenas pão de trigo, ou batatas ou milho, mostraram que todos este alimentos provenientes de plantas, contém não apenas proteina suficiente, mas o bastante de todos os aminoácidos essenciais, para apoiar o crescimento e manutenção de adultos saudáveis"
Em nações em desenvolvimento aonde não existe comida suficiente e as pessoas literalmente morrem de fome, condições de subnutrição por proteina/caloria conhecidas como o marasmo e kwashiorkor existem sim, mas isso não ocorre em paises em desenvolvimento. Os sintomas - emaciação extrema, lassidão e desperdício muscular - desaparecem igualmente com a introdução de alimentos hiper-calóricos ou hiper-lipídicos como também com o consumo de proteina concentrada, e ainda melhor com os hiper-calóricos. Deficiencia de proteina na verdade não é o caso desses problemas. É simplesmente uma falta de comida, uma severa crónica deficiencia de calorias, que faz as pessoas literalmente começarem a digerirem seus próprios tecidos musculares por combustível.
Deficiência de proteína simplesmente não é parte da nossa realidade.
Fonte: "The 80-10-10 diet", Dr. Graham