Nascidos Para Correr
Acabei de ler este livro e gostei muito. Recomendo. Dá mesmo vontade de começar a correr (para quem não corre), ou de ultrapassar os limites e experimentar novas aventuras, para aqueles que já fazem da corrida um hábito. Abaixo fica a sinopse, e depois alguns trechos que achei pertinente por terem a ver com o tema do blogue.
Sinopse
O mais surpreendente best-seller do ano começa com uma simples pergunta: porque me dói o pé?
Christopher McDougall estava de volta ao médico com mais uma lesão. É o início de uma aventura épica. A procura de respostas leva-o a investigar a história de uma tribo lendária, os Tarahumara, refugiada no mais inóspito canyon mexicano - e que ali sobrevivem, há séculos, graças à sua extraordinário capacidade de correr longas distâncias, centenas de quilómetros, sem nunca parar. Com a ajuda de um misterioso corredor, Cavallo Branco, o autor descobre essa misteriosa raça de superatletas, que vivem numa sociedade onde a doença foi praticamente erradicada, e a corrida, a pé descalço, é o segredo de uma vida longa. Em ritmo trepidante, o autor alterna as suas viagens ao México com a história dos cartéis de droga que perseguem os Tarahumara, fala da ciência da corrida, dos lobbis das marcas de desporto - e de como os caríssimos ténis da Nike nos podem provocar as mais graves lesões.
"Segundo o Dr. Robert Weinberg, professor de oncologia no MIT, uma em cada sete mortes por cancro é provocada por excesso de gordura corporal. As contas são claras: cortar na gordura é cortar no risco do cancro. Os cancros do cólon, da próstata e da mama eram quase desconhecidos no Japão até que os japoneses começaram a comer como os americanos, ao fim de algumas décadas a sua taxa de mortalidade, causada por essas doenças, disparou.
Quando a American Câncer Society comparou pessoas gordas e magras em 2003, os resultados foram ainda mais desoladores que o esperado: homens e mulheres mais pesados tinham uma probabilidade muito maior de morrer de, pelo menos, dez tipos diferentes de cancro. Além de fazer bastante exercício, diz o Dr. Weinberg, temos de construir a nossa dieta à volta de fruta e vegetais em vez de carne de bovinos e hidratos de carbono processados. As provas mais claras vêm da observação das células cancerígenas e, luta pela sobrevivência: quando se remove cirurgicamente tumores, há 300 por cento mais hipóteses de que eles voltem a crescer em pacientes com uma "dieta ocidental tradicional", do que em pacientes que comam mais fruta e vegetais, segundo um estudo de 2007 do journal of the American Association. Porque? Porque células deixadas para trás após a cirurgia parecem ser estimuladas por proteínas animais. Tirando esses alimentos da dieta, os tumores podem nunca mais regressar sequer.
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"O teu corpo precisa de receber choques para ganhar resistência. Seguindo a mesma rotina diária, o sistema músculo-esqueletal rapidamente aprende a adaptar-se e entra em piloto automático. Mas se o surpreendermos com novos desafios - saltar sobre um riacho, rastejar como um comando sob o tronco, sprintar até os pulmões estarem prestes a rebentar - dúzias de nervos e músculos auxiliares serão subitamente electizados para mover-se"
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"Muitas das lesões nos pés e nos joelhos, que atualmente nos atormentam, devem-se na verdade, ao fato de as pessoas correrem com sapatos que lhes enfraquecem os pés, obrigando-as a exagerar a pronação, o que causa problemas nos joelhos. Até 1972, quando o calçado atlético foi inventado pela Nike, as pessoas corriam sobre solas muito finas, tinham pés fortes, e uma incidência muito mais reduzida de lesões nos joelhos."
"Se as sapatilhas de corrida não nos fazem andar mais depressa e não evitam que nos lesionemos, então ao certo, estamos a pagar pelo quê? Quais são os benefícios de todos esses microchips, dos "potenciadores de impulsão", das almofadas de ar, dos mecanismos de torção e das barras estabilizadoras? Bem, se tiver um par de kinseis no armário, prepare-se para más notícias, e tal como todas as más noticias, são três de uma vez:
VERDADE DOLOROSA Nº1
As melhores sapatilhas são as piores
Os corredores que usam sapatilhas topo de gama têm 123 por cento mais hipóteses de se lesionarem do que os corredores em sapatilhas baratas, segundo um estudo conduzido pelo médico Bernard Marti, um especialista em medicina preventiva na universidade de Berna. A equipa de investigadores do Dr. Marti analisou 4358 corredores das grand prix de Berna, uma prova de estrada de 16 quilômetros. Todos os corredores preencheram um extenso questionário que detalhava os seus hábitos de treino e o seu calçado no ano anterior; apurou-se que 45% se tinham lesionado neste período. Mas o que surpreendeu o Dr. Marti foi: "Corredores em sapatilhas que custam mais de 60 euros tinham o dobro das possibilidades de se lesionarem do que corredores em sapatilhas que custassem menos de 25 euros". Estudos posteriores chegaram a resultados semelhantes, como o caso de um artigo de 1991, na medicine & Science in Sports & Exercise, que apurou que: "quem usa sapatilhas caras, promovidas como tendo características adicionais de proteção, lesionam-se com uma frequência significativamente superior à de corredores que usam sapatilhas baratas (menos de 25 euros).
VERDADE DOLOROSA Nº2
Os pés gostam de levar uma boa tareia
Quanto maior for o amortecimento na sapatilha, menos proteção oferece.
"À medida que as sapatilhas se gastavam e o seu amortecimento endurecia, revelaram os investigadores do Oregon num estudo de 1998 para o Journal of Orthopedic & Sports Physical Therapy, os pés dos corredores estabilizavam-se e tornavam-se menos oscilantes. Seriam precisos mais dez anos até os cientistas chegarem a uma explicação para o porque de as sapatilhas velhas, que as empresas de calçado desportivo diziam para deitar fora, serem melhores que as novas, que nos incentivavam a comprar. "...as pernas e os pés pisam instintivamente com mais força quando sentem uma coisa mole por baixo. Quando se corre em sapatilhas acolchoadas, os pés estão a fazer força através das solas, em busca de uma plataforma dura e estável".
ÚLTIMA VERDADE DOLOROSA
Até Alan Webb diz: "os seres humanos foram concebidos para correr sem sapatilhas"
"A musculatura destreinada dos pés é o maior problema e conduz a lesões, mas nós permitimos aos nossos pés que ficassem muito destreinados nos últimos 25 anos - diz o Dr. Gerar Hartmann - A pronação tornou-se num palavrão, mas é apenas o movimento natural do pé. É suposto que o pé faça pronação."
"Enfiar os pés em sapatos é semelhante a pô-los em gesso - continuou o Dr. Hartmann. Se puser uma das suas pernas em gesso, encontraremos uma atrofia da musculatura de 40 a 60 por cento no espaço de seis semanas. Acontece uma coisa parecida aos pés quando estão encaixados em sapatos. Quando são os sapatos a fazerem o trabalho, os tendões retesam-se e os músculos mirram. Os pés adoram uma briga e florescem sob pressão; deixando-os a preguiçar, como Alan Webb descobriu, eles vão-se abaixo. Dando-lhes trabalho, eles espevitam."
"Trabalhei com mais de uma centena de corredores quenianos, e uma coisa que todos tem em comum é uma maravilhosa elasticidade nos pés. Isso advém de nunca correrem em sapatilhas até chegarem aos 17 anos"
"Ainda hoje, o Dr. Hartmann acredita que o melhor conselho na prevenção de lesões que já ouviu veio de um treinador que recomendava "correr descalço em relva úmida três vezes por semana"

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